
Viva a liberdade no rádio!
Quando meu amigo Enio Martins me pediu algumas linhas sobre o radio logo pensei: É muito mais fácil falar no rádio que do rádio. Já tornei público que foi nele que iniciei minha formação de comunicador e nele aprendi que a espontaneidade ao falar deveria ser a via mestra. Natural! Afinal sempre me considerei uma pessoa informal.
Já na escrita, cujos padrões literários formalizam um pouco o discurso, me sinto um pouco engessado. Mas pera aí: Esse texto tá informal não tá? Tá vendo? Já entrei em contradição! Beleza!
Eu sei que é possível escrever um texto informal e a prova você está lendo, mas na verdade o que eu quero dizer é que falando, o coloquial aflora naturalmente pelo menos pra mim. Bom, vamos ao que interessa.
O Rádio sempre me fascinou não só pelo lado profissional do trabalho em si, mas também pelas peculariedades desse dinâmico veículo de comunicação ágil como nenhum outro e ao mesmo tempo romântico no sentido de cativar as pessoas despertando a curiosidade e a imaginação.
Na televisão por exemplo, isso não acontece, pois ali tá tudo escancarado. Ultimamente no entanto, o rádio não tem nos reservado boas companhias, o que se ouve são locutores sem a menor graça forçando uma intimidade com a audiência e projetando uma falsa simpatia do tipo Oooiiii!!!! como se fosse uma única rádio pasteurizada, massificada tocando as mesmas músicas falando do mesmo jeito e portanto muito ruim, muito aquém pra uma cidade como São Paulo.
É claro que não posso me trair como ouvinte e pra que isso não aconteça cito alguns dos que ainda me fazem ligar o rádio: Zé Luis com seu Do Balacobaco, Daniel Daibem nas tardes da Eldorado, Patrícia Palumbo com o Vozes do Brasil e os caras do Na Geral. Eles funcionam como personalidades no ar e talvez seja esse mesmo o caminho a seguir em tempos de mesmice e falta de originalidade.
Fica a sugestão para os diretores e coordenadores das emissoras não olharem com tanta sede no pote das gravadoras em busca de oportunidades de marketing e promoção em detrimento da liberdade de ação tão favorável à audiência.
Edgard Piccoli é VJ da MTV, músico nas horas vagas e deve voltar ao dial logo, logo.
Fonte: Rádio Agência